21.8.06

NOSSO SÃO PAULO

Portal Nosso São PauloA INCLUSÃO DIGITAL COMEÇA AQUI:

"PROJETO NOSSO SÃO PAULO
DE INTERNET"
Em 2006, Junte-se a Nós!
faleconosco@nossosaopaulo.com.br



Mensagem do Dia - 21/Agosto/2006 - Dia da Habitação e Início da Semana do Excepcional !!!

!!! CONHEÇA BEM SEUS DEPUTADOS E SENADORES - VAMOS OXIGENAR O BRASIL !!!

Antes de escolher os seus DEPUTADOS e SENADORES, acesse nossa página POLÍTICA e veja se não está envolvido em quaisquer escândalos, no brilhante projeto TRANSPARÊNCIA BRASIL. A menos que você tenha absoluta confiança no seu deputado ou senador, DEMITA OS QUE LÁ ESTÃO, SUMARIAMENTE, oxigenando esses ninhos de víboras com pessoas novas, de preferência cujo caráter e honestidade VOCÊ CONHEÇA - CLICK AQUI.

Participe e ajude-nos a divulgar esta campanha: DIGA NÃO AOS MESMOS !!! Vamos escolher e VOTAR em homens e mulheres sérios e honestos, para PRESIDENTE DA REPÚBLICA - NEM PT NEM PSDB - e GOVERNADOR.

BOAS OPÇÕES EXISTEM, que merecem o seu VOTO e a chance de provar a que vieram - para a presidência, se apresentam a Senadora Heloísa Helena, o Senador Cristovam Buarque, o deputado José Maria Eymael e o empresário Luciano Bivar. Se ganharem e forem ruins, como os últimos, os demitimos nas próximas eleições, porque ERRAR É HUMANO, MAS INSISTIR NO ERRO É BURRICE !!!... e não devemos ser POCOTÓS..., asnos de quatro patas que insistem nas mesmas teclas esperando um SOM diferente...

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Um dos mais sérios projetos da internet paulista, colaborativo e participativo, calcado nos princípios da INCLUSÃO DIGITAL e com conteúdo de alto teor EDUCATIVO e CULTURAL.
Várias 'chaves de pesquisa' apontam o PORTAL NOSSO SÃO PAULO na primeira página do GOOGLE e de outros mecanismos de busca internacionais.
Disponibilizamos MAPAS RODOVIÁRIOS, PREVISÃO DO TEMPO e muito mais na página de cada cidade lançada - CLICK e CONFIRA. Acompanhe também, em SP-NEWS: os principais jornais de SÃO PAULO, do BRASIL e do MUNDO.


Este Boletim pode ser retransmitido livremente, desde que mantida a sua integridade, que pode ser averiguada na opção Datas Comemorativas - Pensamentos e Mensagens - no Portal Nosso São Paulo !!!

Datas Comemorativas - 21/Agosto:
  • Início da Semana do Excepcional (Dec. 54.188/64). Lembranças fraternas a todos os que lutam esta vida com restrições de ordem física ou mental !
  • Dia da Habitação, necessidade básica de todo ser humano !
  • Aniversário da Batalha de Vimeiro-Portugal, travada durante a Guerra Peninsular entre as forças luso-britânicas e o exército francês de Napoleão foi derrotado, no ano de 1808;
  • Nascimento de Cauchy (Augustin-Louis Cauchy), matemático francês, em Paris-França, no ano de 1789;
  • Nascimento de Milton Ribeiro (Milton Ribeiro), ator brasileiro, em Passos-MG, no ano de 1921;
  • Nascimento de Carrie Anne Moss (Carrie-Anne Moss), estrela do cinema mundial, em Vanocouver, British Columbia-Canadá, no ano de 1967;
  • Morte de Raul Seixas (Raul dos Santos Seixas), o 'Maluco Beleza', cantor da MPB, no ano de 1989;
  • Morte de Leon Trotsky (Lev Davidovich Bronstein Trotski, ou Trotskii, Trotsky, Trotzky), intelectual marxista e revolucionário bolchevique, fundador e membro do Politburo do Partido Comunista da União Soviética, em Coyacán-México (por assassinato), no ano de 1940;
  • Morte de Maria Quitéria (Maria Quitéria de Jesus Medeiros), heroína da Guerra da Independência,“Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro" e "Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro", em São José de Itapororocas-Bahia, no ano de 1853.

CLICK AQUI para ver outras datas no portal !

1. PENSAMENTOS/NEGÓCIOS:

“ SE O CIRQUE DU SOLEIL FOSSE UM BANCO... ”
- ...eles não têm o menos interesse em contribuir com a grave problemática do desemprego no País, embora tenham crescentes bilhões de lucros... -

“ Certamente ele não seria essa fonte maravilhosa de espetáculos que encanta tanta gente no mundo inteiro. Não seria este festival de luzes, beleza, bom gosto, emoção e arte que marcam os corações das pessoas que assistem aos seus espetáculos, tornando-os inesquecíveis.

Não seria um realizador de produtos que fazem as pessoas felizes.
Não teria sensibilidade com as crianças, nem carinho com o público que o prestigia.
Enfim, não seria uma expressão da alegria.

Se o Cirque du Soleil fosse um banco...

Ele seria uma das mais cínicas e sórdidas expressões de um País.
Seria frio e calculista, insensível e egoísta, pela sua indiferença em relação a economia das empresas e das pessoas.

Subestimaria a inteligência do cidadão, tomando o seu dinheiro em depósitos, ganhando fortunas às custas desse numerário que não lhe pertence, devido aos altos juros que impõe, não repassando um centavo sequer do lucro obtido ao verdadeiro dono do dinheiro, e ainda tendo a cara de pau de cobrar taxa de manutenção de conta do seu cliente...

Teria o cinismo de mandar os seus gerentes correrem atrás de “aplicações” dos seus clientes, como se fossem idiotas, oferecendo a eles os tais PGBL, VGBL e outras siglas com rendimentos de apenas 1%, para ganharem mais às custas dos trouxas, ao mesmo tempo em que cobram, do mesmo cliente, mais de 10% quando é este que precisa de algum empréstimo para uma emergência.

Debocharia das caras dos clientes que ficam horas nas filas, de pé, esperando serem atendidos por apenas dois funcionários, quando existem outras máquinas de caixas disponíveis sem operadores, porque eles não têm o menor interesse em contribuir com a grave problemática do desemprego no País, embora tenham crescentes bilhões de lucros.

Contrataria os advogados mais canalhas e sujos que existem nas cidades, orientando-os a comprarem os cartórios, subornarem juízes, oficiais de justiça e injetarem o dinheiro que fosse necessário nas rotinas dos fóruns, para que todos os seus processos contra clientes passem a frente de todos os outros, sejam transitados o mais rápido possível, exercendo uma eficiência e dinâmica que a máquina judicial não consegue ter em relação a nenhum outro tipo de processo.

Descaradamente e mafiosamente, compraria deputados em Brasília, para aprovarem o sem vergonha artigo 56 da Lei 10.931 de agosto de 2004, quando alteraram o decreto 911 de 1969, cerceando o sagrado e constitucional direito de defesa do consumidor, o que faz com que o cidadão perca seu patrimônio, quase todo pago, sem direito de se manifestar na justiça, com a conivência de juízes inescrupulosos.

Inventaria “generosos” empréstimos para aposentados e pensionistas, não com objetivos de ajudar idoso nenhum, mas a fim de assaltar-lhes também com as suas ganâncias dos juros, taxas de abertura de crédito e outros roubos, conseguindo gerar um sofrimento terrível a milhares de velhinhos deste país, que tiveram os seus parcos rendimentos reduzidos, até mesmo por ação de parentes inescrupulosos, sem terem a quem recorrer, sem que a própria imprensa consiga identificar a gravidade do fato para denunciá-lo...

Dominaria o governo do Brasil, seja ele do PSDB, PT ou qualquer outro “P”, para que os altos juros fossem mantidos, em benefício deles e não da Nação, e ainda subestimaria a inteligência do povo, fazendo-o pensar que o mensalão não existe, nem nunca existiu... e que foi uma simples conversa fiada do Roberto Jefferson... Por falar nisso, cadê o Roberto Jefferson? Por que ninguém mais o viu na televisão?

O CIRCO SOLEIL JAMAIS PODERIA SER UM BANCO !!!
Ele é um símbolo da alegria e não do banditismo, da máfia, do mau caratismo e do vampirismo que acaba com uma Nação !!! ”

( Alamar Régis Carvalho - 'Biografia' - 1951 /**** )
Quer dar sua opinião sobre este texto? CLICK AQUI e Fale Conosco!!!
- Desde que citada a fonte e mantido como está, esse texto pode ser livremente republicado -

A NOSSA OPINIÃO: mais uma vez, parabéns ao articulista pela brilhante exposição da antianalogia... recomendamos a todos os leitores que vejam também os seus artigos da série "Safadezas no Brasil" - click aqui - publicados em nossa página POLÍTICA, mormente o número DOIS onde trata este problema dos BANCOS... com exemplos.

Para que todos possam reforçar essa idéia do vampirismo praticado pelas instituições bancárias no BRASIL, sem qualquer paralelo no mundo ou na história, ainda esta semana 'descobri'... aos 47 anos (sic)... algo realmente extraordinário: uma taxa, não sei se nova ou não, mas que vinha passando desapercebida, denominada "TARIFA BANCÁRIA - EXCEDENTE SAQUE AUTO-ATEN"...!!! Talvez porque estivesse em um ambiente mais tranqüilo - num shopping -, sem a pressa cotidiana, tive tempo para notar um valor de R$8,40 lançado no extrato sob esta alegação...

Aproveitando a presença dos funcionários do glorioso BRADESCO no posto de serviço, inquiri o por quê desta tarifa, visto não haver ultrapassado nenhum limite durante o mês corrente... A isso, me foi entregue uma verdadeira CARTILHA, maravilhosamente impressa em papel reciclado - talvez para demonstrar que a instituição seja muito responsável e preocupada com a ética... (sic) !!! - intitulada"Cestas de Serviços Bancários - Pessoa Física"... em mais de 10 páginas, e isso em letras bem miudinhas..., com todas as tarifas praticadas pelo banco. Pelo visto, deve ser necessário um verdadeiro CURSO para poder compreendê-las, e isso considerando-se que sou pós-graduado em engenharia... Argumentando com os funcionários que não tinha tempo para TANTA leitura, resolveram me explicar a 'bendita' tarifa: "Olhe, meu senhor, você 'TEM DIREITO' a um total de QUATRO (4) saques durante o mês - e isso em minha conta corrente e no meu dinheiro -. Para os demais, o banco cobra uma tarifa unitária de R$1,20 (UM REAL E VINTE CENTAVOS)"... (sic... sic... sic) !!! Quando lhes respondi que a partir dessa data me dirigiria diretamente a um caixa para evitar essa tarifa, sorriram e me alertaram que a mesma também incide sobre os saques no caixa... de acordo com a cartilha/manual... seria até cômico, se não fosse triste...

Acho o cúmulo do acinte e da patifaria institucionalizada neste país, uma tarifa pelo saque ao nosso próprio dinheiro...!!! PIOR..., se cobram é porque alguém - dos desgovernos - lhes deu esse "DIREITO"... o direito de saquearem os pocotós brasileiros... todos nós !!! E depois não sabemos de onde veio TANTO DINHEIRO para irrigar as contas dos MENSALEIROS..., indiretamente do bolso de todos nós, os PALHAÇOS DO CIRCO BRASIL, extorquidos pelos vampiros dos bancos, onde depositamos os nossos salários e todo o nosso sofrido 'dinheirinho'...

Sem desconsiderar os demais - afora o PT e PSDB que desconsideramos mesmo... -, talvez seja por isso que tantas pessoas estão se animando em votar na nobre Senadora Heloísa Helena, a única que tem tido a CORAGEM para afrontar os poderosos banqueiros e a quem os bancos negaram qualquer apoio... E..., se negaram, talvez seja ela uma belíssima opção para colocar um freio nessa sangria desatada na qual se banqueteiam, às nossas custas, tantos vampiros pavorosos... muitas vezes mais violentos que o próprio DRÁCULA!!!
(Eng. Celio Franco - Gestor do Portal NSP)

2. MENSAGENS/POESIAS:

“ AS CISMAS DO DESTINO ”
- EU- 1912 -

I

Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia... O calçamento
Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio calvo.

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte.
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

A noite fecundava o ovo dos vícios
Animais. Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!

Tal uma horda feroz de cães famintos,
Atravessando uma estação deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!

Era como se, na alma da cidade,
Profundamente lúbrica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.

E aprofundando o raciocínio obscuro,
Eu vi, então, à luz de áureos reflexos,
O trabalho genésico dos sexos,
Fazendo à noite os homens do Futuro.

Livres de microscópios e escalpelos,
Dançavam, parodiando saraus cínicos,
Bilhões de centrossomas apolínicos
Na câmara promíscua do vitellus.

Mas, a irritar-me os globos oculares,
Apregoando e alardeando a cor nojenta,
Fetos magros, ainda na placenta,
Estendiam-me as mãos rudimentares!

Mostravam-me o apriorismo incognoscível
Dessa fatalidade igualitária,
Que fez minha família originária
Do antro daquela fábrica terrível!

A corrente atmosférica mais forte
Zunia. E, na ígnea crostra do Cruzeiro,
Julgava eu ver o fúnebre candeeiro
Que há de me alumiar na hora da morte.

Ninguém compreendia o meu soluço,
Nem mesmo Deus! Da roupa pelas brechas,
O vento bravo me atirava flechas
E aplicações hiemais de gelo russo.

A vingança dos mundos astronômicos
Enviava à terra extraordinária faca,
Posta em rija adesão de goma laca
Sobre os meus elementos anatômicos.

Ah! Com certeza, Deus me castigava!
Por toda a parte, como um réu confesso,
Havia um juiz que lia o meu processo
E uma forca especial que me esperava!

Mas o vento cessara por instantes
Ou, pelo menos, o ignis sapiens do Orco
Abafava-me o peito arqueado e porco
Num núcleo de substâncias abrasantes.

É bem possível que eu um dia cegue.
No ardor desta letal tórrida zona,
A cor do sangue é a cor que me impressiona
E a que mais neste mundo me persegue!

Essa obsessão cromática me abate.
Não sei por que me vêm sempre à lembrança
O estômago esfaqueado de uma criança
E um pedaço de víscera escarlate.

Quisera qualquer coisa provisória
Que a minha cerebral caverna entrasse,
E até ao fim cortasse e recortasse
A faculdade aziaga da memória.

Na ascensão barométrica da calma,
Eu bem sabia, ansiado e contrafeito,
Que uma população doente do peito
Tossia sem remédio na minh´alma!

E o cuspo que essa hereditária tosse
Golfava, à guisa de ácido resíduo,
Não era o cuspo só de um indivíduo
Minado pela tísica precoce.

Não! Não era o meu cuspo, com certeza
Era a expectoração pútrida e crassa
Dos brônquios pulmonares de uma raça
Que violou as leis da Natureza!

Era antes uma tosse ubíqua, estranha,
Igual ao ruído de um calhau redondo
Arremessado no apogeu do estrondo,
Pelos fundibulários da montanha!

E a saliva daqueles infelizes
Inchava, em minha boca, de tal arte,
Que eu, para não cuspir por toda a parte,
Ia engolindo, aos poucos, a hemoptísis!

Na alta alucinação de minhas cismas
O microcosmos líquido da gota
Tinha a abundância de uma artéria rota,
Arrebentada pelos aneurismas.

Chegou-me o estado máximo da mágoa!
Duas, três, quatro, cinco, seis e sete
Vezes que eu me furei com um canivete,
A hemoglobina vinha cheia de água!

Cuspo, cujas caudais meus beiços regam,
Sob a forma de mínimas camândulas,
Benditas sejam todas essas glândulas,
Que, quotidianamente, te segregam!

Escarrar de um abismo noutro abismo,
Mandando ao Céu o fumo de um cigarro,
Há mais filosofia neste escarro
Do que em toda a moral do cristianismo!

Porque, se no orbe oval que os meus pés tocam
Eu não deixasse o meu cuspo carrasco,
Jamais exprimiria o acérrimo asco
Que os canalhas do mundo me provocam!

II

Foi no horror dessa noite tão funérea
Que eu descobri, maior talvez que Vinci,
Com a força visualística do lince,
A falta de unidade na matéria!

Os esqueletos desarticulados,
Livres do acre fedor das carnes mortas,
Rodopiavam, com as brancas tíbias tortas,
Numa dança de números quebrados!

Todas as divindades malfazejas,
Siva e Arimã, os duendes, o In e os trasgos,
Imitando o barulho dos engasgos,
Davam pancadas no adro das igrejas.

Nessa hora de monólogos sublimes,
A companhia dos ladrões da noite,
Buscando uma taverna que os açoite,
Vai pela escuridão pensando crimes.

Perpetravam-se os atos mais funestos,
E o luar, da cor de um doente de icterícia,
Iluminava, a rir, sem pudicícia,
A camisa vermelha dos incestos.

Ninguém, decerto, estava ali, a espiar-me,
Mas um lampião, lembrava ante o meu rosto,
Um sugestionador olho, ali posto
De propósito, para hipnotizar-me!

Em tudo, então, meus olhos distinguiram
Da miniatura singular de uma aspa,
À anatomia mínima da caspa,
Embriões de mundos que não progrediram!

Pois quem não vê aí, em qualquer rua,
Com a fina nitidez de um claro jorro,
Na paciência budista do cachorro
A alma embrionária que não continua?!

Ser cachorro! Ganir incompreendidos
Verbos! Querer dizer-nos que não finge,
E a palavra embrulhar-se no laringe,
Escapando-se apenas em latidos!

Despir a putrescível forma tosca,
Na atra dissolução que tudo inverte,
Deixar cair sobre a barriga inerte
O apetite necrófago da mosca!

A alma dos animais! Pego-a, distingo-a,
Acho-a nesse interior duelo secreto
Entre a ânsia de um vocábulo completo
E uma expressão que não chegou à língua!

Surpreendo-a em quatrilhões de corpos vivos,
Nos antiperistálticos abalos
Que produzem nos bois e nos cavalos
A contração dos gritos instintivos!

Tempo viria, em que, daquele horrendo
Caos de corpos orgânicos disformes
Rebentariam cérebros enormes
Como bolhas febris de água, fervendo!

Nessa época que os sábios não ensinam,
A pedra dura, os montes argilosos
Criariam feixes de cordões nervosos
E o neuroplasma dos que raciocinam!

Almas pigméias! Deus subjuga-as, cinge-as
À imperfeição! Mas vem o Tempo, e vence-O,
E o meu sonho crescia no silêncio,
Maior que as epopéias carolíngias!

Era a revolta trágica dos tipos
Ontogênicos mais elementares,
Desde os foraminíferos dos mares
À grei liliputiana dos polipos.

Todos os personagens da tragédia,
Cansados de viver na paz de Buda,
Pareciam pedir com a boca muda
A ganglionária célula intermédia.

A planta que a canícula ígnea torra,
E as coisas inorgânicas mais nulas
Apregoavam encéfalos, medulas
Na alegria guerreira da desforra!

Os protistas e o obscuro acervo rijo
Dos espongiários e dos infusórios
Recebiam com os seus órgãos sensórios
O triunfo emocional do regozijo!

E apesar de já ser assim tão tarde,
Aquela humanidade parasita,
Como um bicho inferior, berrava, aflita,
No meu temperamento de covarde!

Mas, refletindo, a sós, sobre o meu caso,
Vi que, igual a um amniota subterrâneo,
Jazia atravessada no meu crânio
A intercessão fatídica do atraso!

A hipótese genial do microzima
Me estrangulava o pensamento guapo,
E eu me encolhia todo como um sapo
Que tem um peso incômodo por cima!

Nas agonias do delirium-tremens,
Os bêbedos alvares que me olhavam,
Com os copos cheios esterilizavam
A substância prolífica dos semens!

Enterravam as mãos dentro das goelas,
E sacudidos de um tremor indômito
Expeliam, na dor forte do vômito,
Um conjunto de gosmas amarelas.

Iam depois dormir nos lupanares
Onde, na glória da concupiscência,
Depositavam quase sem consciência
As derradeiras forças musculares.

Fabricavam destarte os blastodermas,
Em cujo repugnante receptáculo
Minha perscrutação via o espetáculo
De uma progênie idiota de palermas.

Prostituição ou outro qualquer nome,
Por tua causa, embora o homem te aceite,
É que as mulheres ruins ficam sem leite
E os meninos sem pai morrem de fome!

Por que há de haver aqui tantos enterros?
Lá no "Engenho" também, a morte é ingrata...
Há o malvado carbúnculo que mata
A sociedade infante dos bezerros!

Quantas moças que o túmulo reclama!
E após a podridão de tantas moças,
Os porcos espojando-se nas poças
Da virgindade reduzida à lama.

Morte, ponto final da última cena,
Forma difusa da matéria imbele,
Minha filosofia te repele,
Meu raciocínio enorme te condena!

Diante de ti, nas catedrais mais ricas,
Rolam sem eficácia os amuletos,
Oh! Senhora dos nossos esqueletos
E das caveiras diárias que fabricas!

E eu desejava ter, numa ânsia rara,
Ao pensar nas pessoas que perdera,
A inconsciência das máscaras de cera
Que a gente prega, com um cordão, na cara!

Era um sonho ladrão de submergir-me
Na vida universal, e, em tudo imerso,
Fazer da parte abstrata do Universo,
Minha morada equilibrada e firme!

Nisto, pior que o remorso do assassino,
Reboou, tal qual, num fundo de caverna,
Numa impressionadora voz interna,
O eco particular do meu Destino:

III

"Homem! por mais que a Idéia desintegres,
Nessas perquirições que não têm pausa,
Jamais, magro homem, saberás a causa
De todos os fenômenos alegres!

Em vão, com a bronca enxada árdega, sondas
A estéril terra, e a hialina lâmpada oca,
Trazes, por perscrutar (oh! ciência louca!)
O conteúdo das lágrimas hediondas.

Negro e sem fim é esse em que te mergulhas
Lugar do Cosmos, onde a dor infrene
É feita como é feito o querosene
Nos recôncavos úmidos das hulhas!

Porque, para que a Dor perscrutes, fora
Mister que, não como és, em síntese, antes
Fosses, a refletir teus semelhantes,
A própria humanidade sofredora!

A universal complexidade é que Ela
Compreende. E se, por vezes, se divide,
Mesmo ainda assim, seu todo não reside
No quociente isolado da parcela!


Ah! Como o ar imortal a Dor não finda!
Das papilas nervosas que há nos tatos
Veio e vai desde os tempos mais transatos
Para outros tempos que hão de vir ainda!

Como o machucamento das insônias
Te estraga, quando toda a estuada Idéia
Dás ao sôfrego estudo da ninféia
E de outras plantas dicotiledôneas!

A diáfana água alvíssima e a hórrida áscua
Que da ígnea flama bruta, estriada, espirra;
A formação molecular da mirra,
O cordeiro simbólico da Páscoa;

As rebeladas cóleras que rugem
No homem civilizado, e a ele se prendem
Como às pulseiras que os mascates vendem
A aderência teimosa da ferrugem;

O orbe feraz que bastos tojos acres
Produz; a rebelião que, na batalha,
Deixa os homens deitados, sem mortalha,
Na sangueira concreta dos massacres;

Os sanguinolentíssimos chicotes
Da hemorragia; as nódoas mais espessas,
O achatamento ignóbil das cabeças,
Que ainda degrada os povos hotentotes;

O Amor e a Fome, a fera ultriz que o fojo
Entra, à espera que a mansa vítima o entre,
- Tudo que gera no materno ventre
A causa fisiológica do nojo;

As pálpebras inchadas na vigília,
As aves moças que perderam a asa,
O fogão apagado de uma casa,
Onde morreu o chefe da família;

O trem particular que um corpo arrasta
Sinistramente pela via férrea,
A cristalização da massa térrea,
O tecido da roupa que se gasta;

A água arbitrária que hiulcos caules grossos
Carrega e come, as negras formas feias
Dos aracnídeos e das centopeias,
O fogo-fátuo que ilumina os ossos;

As projeções flamívomas que ofuscam,
Como uma pincelada rembradtesca,
A sensação que uma coalhada fresca
Transmite às mãos nervosas dos que a buscam;

O antagonismo de Tifon e Osíris,
O homem grande oprimindo o homem pequeno,
A lua falsa de um parasseleno,
A mentira meteórica do arco-íris;

Os terremotos que, abalando os solos,
Lembram paióis de pólvora explodindo,
A rotação dos fluidos produzindo
A depressão geológica dos pólos;

O instinto de procriar, a ânsia legítima
Da alma, afrontando ovante aziagos riscos,
O juramento dos guerreiros priscos
Metendo as mãos nas glândulas da vítima;

As diferenciações que o psicoplasma
Humano sofre na mania mística,
A pesada opressão característica
Dos 10 minutos de um acesso de asma;

E, (conquanto contra isto ódios regougues)
A utilidade fúnebre da corda
Que arrasta a rês, depois que a rês engorda,
À morte desgraçada dos açougues...

Tudo isto que o terráqueo abismo encerra
Forma a complicação desse barulho
Travado entre o dragão do humano orgulho
E as forças inorgânicas da terra!

Por descobrir tudo isso, embalde cansas!
Ignoto é o gérmen dessa força ativa
Que engendra, em cada célula passiva,
A heterogeneidade das mudanças!

Poeta, feto malsão, criado com os sucos
De um leite mau, carnívoro asqueroso,
Gerado no atavismo monstruoso
Da alma desordenada dos malucos;

Última das criaturas inferiores
Governada por átomos mesquinhos,
Teu pé mata a uberdade dos caminhos
E esteriliza os ventos geradores!

O áspero mal que a tudo, em torno, trazes,
Análogo é ao que, negro e a seu turno,
Traz o ávido filóstomo noturno
Ao sangue dos mamíferos vorazes!

Ah! Por mais que, com o espírito, trabalhes
A perfeição dos seres existentes,
Hás de mostrar a cárie dos teus dentes
Na anatomia horrenda dos detalhes!

O Espaço - esta abstração spenceriana
Que abrange as relações de coexistência
E só! Não tem nenhuma dependência
Com as vértebras mortais da espécie humana!

As radiantes elipses que as estrelas
Traçam, e ao espectador falsas se antolham
São verdades de luz que os homens olham
Sem poder, no entretanto, compreendê-las.

Em vão, com a mão corrupta, outro éter pedes
Que essa mão, de esqueléticas falanges,
Dentro dessa água que com a vista abranges,
Também prova o princípio de Arquimedes!

A fadiga feroz que te esbordoa
Há de deixar-te essa medonha marca,
Que, nos corpos inchados de anasarca,
Deixam os dedos de qualquer pessoa!

Nem terás no trabalho que tiveste
A misericordiosa toalha amiga,
Que afaga os homens doentes de bexiga
E enxuga, à noite, as pústulas da peste!

Quando chegar depois a hora tranqüila,
Tu serás arrastado, na carreira,
Como um cepo inconsciente de madeira
Na evolução orgânica da argila!

Um dia comparado com um milênio
Seja, pois, o teu último Evangelho...
E a evolução do novo para o velho
E do homogêneo para o heterogêneo!

Adeus! Fica-te aí, com o abdômen largo
A apodrecer!... És poeira, e embalde vibras!
O corvo que comer as tuas fibras
Há de achar nelas um sabor amargo!"

IV

Calou-se a voz. A noite era funesta.
E os queixos, a exibir trismos danados,
Eu puxava os cabelos desgrenhados
Como o rei Lear, no meio da floresta!

Maldizia, com apóstrofes veementes,
No estentor de mil línguas insurretas,
O convencionalismo das Pandetas
E os textos maus dos códigos recentes!

Minha imaginação atormentada
Paria absurdos... Como diabos juntos,
Perseguiam-me os olhos dos defuntos
Com a carne da esclerótica esverdeada.

Secara a clorofila das lavouras.
Igual aos sustenidos de uma endecha*
Vinha-me às cordas glóticas a queixa
Das coletividades sofredoras.

O mundo resignava-se invertido
Nas forças principais do seu trabalho...
A gravidade era um princípio falho,
A análise espectral tinha mentido!

O Estado, a Associação, os Municípios
Eram mortos. De todo aquele mundo
Restava um mecanismo moribundo
E uma teleologia sem princípios.

Eu queria correr, ir para o inferno,
Para que, da psiquê no oculto jogo,
Morressem sufocadas pelo fogo
Todas as impressões do mundo externo!

Mas a Terra negava-me o equilíbrio...
Na Natureza, uma mulher de luto
Cantava, espiando as àrvores sem fruto,
A canção prostituta do ludíbrio! ”

( Augusto dos Anjos - 'Biografia' - 1884/1914 )


PROJETO "A PIOR PRISÃO DO MUNDO" (CLICK aqui e leia a íntegra deste LIVRO), de autoria do Dr. Augusto Jorge Cury

(*) "QUEM FINANCIA A BAIXARIA É CONTRA A CIDADANIA" - Campanha ÉTICA NA TV - CLICK AQUI!
O Portal Nosso São Paulo está apoiando, oficialmente, esta importante campanha, lançada pela Câmara dos Deputados e várias outras organizações da sociedade civil, cuja pretensão é acompanhar a programação televisiva e indicar os programas que desrespeitam os direitos humanos e a cidadania. Para isso, é imprescindível a sua participação. Se você se sentir lesado por algum programa televisivo, envie a sua denúncia.

A função desta mensagem, veiculada desde 1999, é procurar manter o bom ânimo e o otimismo racional, na vida e no trabalho, além de trazer pensamentos importantes acerca da filosofia, religião, administração de empresas e outras áreas do conhecimento humano, de forma rápida, de modo a não tomar o tempo das pessoas, hoje muitíssimo precioso. Se tiver vontade, envie-nos seu comentário, respondendo este e-mail !

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